A economia do salão-de-beleza
O Governo anunciou que o Brasil entrou, pela 1ª vez, na faixa de desenvolvimento humano “muito alto”. Na hora eu pensei no IDH e, não surpreendentemente, qualquer um que verifique os dados da ONU, verá que o Brasil está na 84ª posição, uma posição muito baixa. Aí veio a pergunta: Uai?
O fato é que o anúncio sapecamente omitiu que o índice cujo valor o Governo comemora é o IDH-M, uma variação tropical, morena-jambo, do IDH para os municípios de Pindorama, não o IDH da ONU que obviamente vem à mente de quantos ouçam tão ufanista autopropaganda. Não é preciso mencionar que o IBGE, sob o chicote de Pochmann, tem se transformado de órgão de pesquisa estatística em salão-de-beleza do Governo. O IDH-M, afinal de contas, é um índice criado no Brasil e usado apenas pelo Brasil, de modo que o Brasil seja sempre comparado consigo mesmo, não com outros países, como nossos vizinhos Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai, Peru, Colômbia, todos com maior IDH que Pindorama. O site oficial do governo traz a manchete “Brasil alcança o melhor IDH da história com índice de 'muito alto desenvolvimento humano’, aponta relatório da ONU”, o que claramente é falso, pois se trata do IDH-M, não do IDH.
O IDH-M é como um Rubinho que, não podendo competir com os demais, criasse um campeonato de F1-M no qual ele corresse sozinho. Aí é fácil ter high performance. Em Pindorama, porém, o perigo, como sempre, é correr sozinho e chegar em penúltimo.
Não questiono a utilidade do IDH-M para comparações internas entre os municípios do Brasil, mas anunciar do jeito que fez só mostra que o Governo não se peja de dar uma de joãozinho-sem-braço com a cara-de-pau de um Pinocchio.
Talvez a única novidade do IDH-M seja o peso redutor em função da desigualdade de renda. Entretanto, se a distribuição uniforme na pobreza não for aceitável, haverá controvérsias. Outro problema é que, com Pochmann no comando, os técnicos do IBGE lutam para o IBGE não se tornar um Márcio’s Hair Style das instituições extrativas de Pindorama. In dubio, procure o Acemoglu.
Tapuias, avante!
